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Reforma Trabalhista é crime contra a história

No dia marcado para a votação da reforma trabalhista, não há mais nada para discutir nem esclarecer sobre a decisão de 81 senadores que terão a palavra final num projeto que atinge todo brasileiro que paga o pão com o suor do próprio rosto.

Os argumentos são conhecidos. Os dados estão na mesa e devem permanecer na consciência de cada parlamentar -- e cada eleitor. No plenário, pela televisão, todos seremos testemunhas de uma tentativa de crime histórico.  

Entre 1943, quando a CLT foi criada, e 2017, quando corre o risco de se transformar num pedaço de papel, num retrato da parede, como dizia o poeta, o país teve 21 presidentes. Dez foram eleitos, cumprindo 13 mandatos. Cinco foram escolhidos pela ditadura militar. Capaz de sobreviver a duas dezenas mudanças de governo – em média com três anos e meio de mandato – a CLT ajudou a construir o Brasil.

 

O projeto pode ser rejeitado de peito aberto, no microfone, num gesto que honra a biografia de todo homem público. O vídeo pode ser guardado para filhos e netos.  

Mas também pode ser derrubado pela abstenção de parlamentares que vierem a comparecer no plenário e simplesmente se recusarem a votar sim ou não. Também vale ficar no gabinete e mesmo em casa. Em qualquer caso, a prioridade é impedir um retrocesso criminoso, condenado expressamente, duas vezes, pela Organização Internacional do Trabalho. Seja numa consulta específica, feita por centrais sindicais brasileiras, seja num estudo ampliado, envolvendo a experiência de 110 países que serviram de laboratório para experimentos de desregulamentação e flexibilização de leis trabalhistas entre  2008-2016. 

Estamos falando de um momento particular em 70 anos de luta de classes no país. Os senadores que ajudarem a aprovar um projeto que joga no lixo um esforço de mais sete décadas colocam-se na árvore genealógica dos antigos capitães do mato e dos modernos traficantes de mão-de-obra.

Derrotar a reforma é resistir à indigência política que envenena e destrói os avanços de nossa história.  

Fonte: Jornalista Paulo Moreira Leite - Brasil 247O jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em BrasíliaO jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em BrasíliaO jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília

 

 

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